Escala 6×1 é a escravidão moderna e, para a mulher, é ainda pior’, afirma deputada Dandara Tonantzin

Data da postagem: 13/05/2026

Parlamentar manifesta preocupação com brechas na regra e defende política de bem estar para o trabalhador seja CLT ou PJ

12.maio.2026 - 16:46

São Paulo (SP)

Gabriela Carvalho E Lucas Krupacz E Maria Teresa Cruz E Nara Lacerda


Dia do Trabalhador, passeata pelo fim da escala 6x1. Curitiba, 01/05/2025.

Dia do Trabalhador, passeata pelo fim da escala 6×1 em Curitiba em 2025. | Crédito: Heloisa Maia

fim da escala 6×1 está no centro do debate público sobre os direitos do trabalhador. O tema é uma das principais metas do governo Lula para esse ano e segue em intensa disputa no Congresso Nacional. Já é consenso entre a classe trabalhadora que a jornada extenuante impede que o trabalhador consiga equilibrar vida pessoal e profissional, deixando de ter tempo para a família, lazer e até cuidados com a saúde.

Mas, quando a análise passa pelo recorte de gênero, o debate de redução da jornada de trabalho fica ainda mais urgente. Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a deputada federal Dandara Tonantzin (PT-MG) defende que a tendência de redução de jornada é mundial e o Brasil está atrasado nesse sentido.

“A escala 6×1 é a escravidão moderna. Seis dias de trabalho para um dia de descanso, bem entre aspas, não asseguram a qualidade de vida e muito menos o bem viver. Já que nesse um dia para as mulheres é dia de lavar roupa, limpar casa, cuidar de filho, ir ao supermercado. O descanso é essencial para a vida, inclusive para a produtividade”, afirma.

“O mundo inteiro está reduzindo jornadas de trabalho sem redução do salário, porque inclusive empresários já perceberam que vão lucrar mais, ter condições asseguradas de descanso, lazer, acesso à cultura, ao esporte, ao entretenimento. Isso tudo assegura que, quando o funcionário for trabalhar, ele vai render mais”, argumenta.

Na avaliação dela, a informação de que o fim da escala 6×1 vai quebrar a economia não passa de “fake news”. “Um estudo recente da Unicamp mostrou que o fim da escala 6×1 vai gerar mais de 4 milhões de novos empregos e aumentar em mais de 4% a produtividade no nosso país”, destaca a deputada.

Tonantzin ressalta que a luta agora no Congresso é a imediata redução da jornada de 44 para 40 horas, garantindo duas folgas na semana, de preferência que sejam dias seguidos, e que a expectativa é de muitos debates nas próximas semanas para que a votação aconteça no dia 28 de maio.

“Nossa articulação é para fazer valer esse direito”, destaca. Nesse momento, a mobilização é muito importante; pressão de fora para dentro, tem deputados que só escutam quando o povo grita. É muito diferente o clima na Câmara quando uma pauta tem o apoio, o apelo popular. Manifestar-se nas redes, nas ruas, é fundamental. O boca a boca no ponto de ônibus, no trabalho, tudo isso é muito importante nesse momento, porque, infelizmente, a gente está tendo que romper com algumas fake news que estão contaminando, inclusive trabalhadores, que estão preocupados e não querem deixar essa escala mudar”, explica.

A deputada também manifesta uma preocupação com relação ao tema, que é a eventual tentativa de o empregador burlar o fim da escala 6×1. “Se a regra valer apenas para quem está no regime CLT, corre o risco de ter uma aceleração da pejotização das relações de trabalho. Então, nós queremos deixar muito bem assegurado nessa PEC que qualquer vínculo empregatício duradouro vai estar subordinado a essa nova regra da jornada de 40 horas semanais com dois dias de descanso. Mesmo que não seja carteira assinada CLT. Se for PJ, se for MEI, nós também queremos assegurar pelo menos dois dias de descanso. Não devemos deixar a regra muito frouxa para que abra um precedente para burlar essa regra”, afirma.

Outra reivindicação trazida por Dandara Tonantzin diz respeito a políticas públicas de bem-viver para esse trabalhador e essa trabalhadora. “Mais um dia de descanso não pode ser mais um dia da mulher lavando roupa e limpando casa. Mais um dia de descanso não pode ser mais um dia para o cara ir para o bar beber, chegar em casa agressivo e bater na mulher. Nós temos que assegurar uma política nacional do bem viver, do cuidado, acessar a cultura, esporte, lazer, que esse dia mais seja um tempo para a pessoa fazer o que ela quiser e que isso signifique bem viver e qualidade de vida”, defende.

Por Brasil de Fato